Naquela tarde de sábado fazia muito frio e Gwenda se entregava ao maior de seus passatempos: uma boa leitura em sua biblioteca particular.
O tempo estava tipicamente londrino o que inspirava a proximidade de uma lareira e quem sabe um chá com bolinhos.
Naquela tarde, Gwenda estava absorta em sua leitura quando a velha empregada chinesa adentrou a biblioteca informando que “uma tal de Adrienne” estava aguardando no hall e esperava ser recebida.
Como sempre, Gwenda não conteve o riso com o excessivo formalismo de Maria. Sim, porque a empregada chinesa era chamada por todos de “Maria” (mas isto é uma outra história).
- Está bem Maria, manda Adrienne entrar. É uma velha amiga da escola. Aproveite para preparar um chá com seus famosos bolinhos.
- Sim senhora. Respondeu a velha empregada.
Antes da empregada sair, Gwenda advertiu com expressão divertida:
- Ah! E por favor, não coloque papeizinhos dentro deles. Não raro me engasgo com minha sorte.
- Sim senhora. Respondeu a empregada olhando de esguelha com aqueles minúsculos olhos orientais.
Passados alguns segundos, Adrienne adentrou a biblioteca, sendo precedida pelo perfume doce e pelo ruído forte que fazia com os sapatos.
As duas se abraçaram, já que fazia muito tempo que não se viam.
Sentaram-se e, após um instante de incômodo silêncio, Gwenda resolveu começar a conversação.
- Pois bem Adrienne, estás muito bonita. Mais magra! E o modelito está esplêndido.
- Obrigada Gwenda, tu também continuas muito bem.
Mais silêncio.
Movida pela curiosidade, Gwenda resolveu ser mais direta.
- Bem, o que a traz a minha casa em um dia tão frio e feio como este? Desculpe se estou sendo indelicada, mas...
Não foi preciso terminar a frase para que Adrienne dissesse a que viera.
- É verdade Gwen. Por certo que não se trata de uma visita comum. Na verdade estou com um problema familiar e pensei que tu serias a pessoa indicada para me aconselhar. Talvez devido às nossas profundas diferenças.
Gwenda, em um rápido flash de memória compreendeu o que a amiga estava querendo dizer.
O fato é que ambas eram muito amigas na escola com o porém de que Adrienne era absolutamente conservadora e Gwenda era tida como excêntrica, pouco adepta a seguir convenções sociais.
Adrienne prosseguiu.
-Lembro de como conversávamos na escola e o quanto discutíamos assuntos diversos, sempre em lados opostos e por isso acho que minhas preocupações do momento poderão encontrar solução com mais uma desta “conversas”.
Gwenda, absolutamente tomada pela curiosidade quase não se conteve em começar a sacudir a amiga para que falasse que assunto tão importante justificava a inesperada visita.
- Gwen, tu sabes que eu sou uma pessoal normal. Que gosta de tudo normal, assim, dentro das convenções. Freqüento a igreja, cuido da minha casa e de minha família. Tudo absolutamente normal.
E prosseguiu.
- Acontece que na quinta-feira à tarde eu estava na minha saleta de costura e minha filha mais velha Tatiana estava no quarto estudando com uma coleguinha. Você lembra da Tatiana não é?
Gwenda lembrava e satisfeita mencionou que ela e sua filha Michela estudavam juntas no curso pré-vestibular.
- Pois bem. Resolvi nesse dia fatídico levar uma limonada e umas bolachinhas para espantar o sono das meninas, já que o estudo durava mais de duas horas. Chegando no quarto abri a porta e me deparei com a cena mais indescritivelmente nojenta da minha vida. As duas estavam ali beijando-se de forma indecorosa, quase sem roupa com clara intenção sexual e eu, embasbacada, deixei cair tudo o que trazia e comecei a gritar feito uma louca. Saí correndo e desci as escadas tão rápido que quase tropecei no Felix, nosso gatinho, só conseguindo parar na cozinha onde sentei ofegante e comecei a chorar.
A essa altura, Gwenda pensava consigo mesma, que nunca tinha ouvido tanta frescura na sua vida, mas incentivou a amiga, que já começava borrar a exagerada maquiagem com as lágrimas que caiam teimosamente.
E Adrienne prosseguiu.
- Após alguns minutos, a coleguinha desceu as escadas e passou por mim em direção à porta da frente, vencendo a rua sem sequer se despedir de mim. Tatiana desceu em seguida e se postou na minha frente dizendo que sentia muito que eu tivesse descoberto as coisas dessa maneira, mas que aquela era a realidade. Ela estava apaixonada e eu teria de me acostumar. Fiquei pasma e muda. Aleguei uma forte enxaqueca e me retirei. Agora aqui estou. Desde então não troquei uma só palavra com minha filha e sei que ela continua se encontrando com a “amiga”, fora de casa.
Nesse instante da conversa, Maria entrou na biblioteca trazendo uma bandeja com chá e bolinhos, esclarecendo com indisfarçável mágoa, que eram bolinhos sem papelzinho, como eu havia pedido.
Aproveitei para acalmar o clima tenso que se formara, pensando no porque de Adrienne ter vindo expor tais intimidades logo para mim.
Servi o chá e passei a falar com Adrienne a fim de que a amiga descansasse um pouco. Achei que uma pausa lhe faria bem.
- Bem Adrienne, acho que terás de enfrentar tal situação livre de preconceitos. É comum nos dias de hoje que os jovens acabem descobrindo a sexualidade com parceiros do mesmo sexo. Às vezes é passageiro. Outras vezes é realmente a opção sexual destas pessoas que, aliás, são tão normais como outras quaisquer.
Gwenda ficou alguns minutos discorrendo sobre a liberdade sexual e mencionando todas as teorias que se lembrava no momento e que poderiam colocar Tatiana em uma situação mais favorável, chegou a pensar em voz alta: “Pobre menina!”
Continuou de forma professoral.
- Tens de aceitar tua filha e mantê-la próxima de ti, caso contrário, não poderás acompanhar a situação e até ajudar Tatiana em suas necessidades.
Gwenda fez uma pausa incentivando Adrienne a tomar mais um pouco de chá, sendo que ela mesma se serviu de mais uma xícara, pois tinha ficado com a garganta seca.
Adrienne foi quem primeiro quebrou o silêncio.
- Fico feliz Gwen em te ouvir assim liberal e livre de preconceitos, pois, tenho de te dizer que as coisas não são tão simples assim.
Esta última frase foi dita de forma tal que Adrienne não conseguiu disfarçar uma certa satisfação e prosseguiu mais calma.
- Digo isso porque a amiguinha de quem falo é exatamente Michela.
Gwenda chegou a se engasgar com um bolinho que acabara de colocar na boca e o choque deve ter sido grande, pois a face ficou pálida de maneira tal que Adrienne chegou a levantar de sua cadeira para ajudar amiga.
Gwenda levantou-se subitamente e derrubou a bandeja com o chá e os bolinhos, o que chamou a atenção de Maria que entrou na biblioteca assustada.
Ato contínuo a patroa perguntou à empregada:
- Maria, Michela está em casa?
- Tá sim senhora. Ta lá em cima estudando com uma coleguinha.
Gwenda, sem esquecer a expressão “beijando-se de forma indecorosa”, olhou para Adrienne e declarou transtornada e quase gritando:
- Vamos terminar com esta pouca vergonha já!
Passados algumas semanas, após a “conversa” com sua filha Michela, esta trouxe Fabrizio, um namoradinho novo e aquela baboseira de homossexualismo foi esquecida na família. (Gilda Satte Alam Severi Cardoso)
O tempo estava tipicamente londrino o que inspirava a proximidade de uma lareira e quem sabe um chá com bolinhos.
Naquela tarde, Gwenda estava absorta em sua leitura quando a velha empregada chinesa adentrou a biblioteca informando que “uma tal de Adrienne” estava aguardando no hall e esperava ser recebida.
Como sempre, Gwenda não conteve o riso com o excessivo formalismo de Maria. Sim, porque a empregada chinesa era chamada por todos de “Maria” (mas isto é uma outra história).
- Está bem Maria, manda Adrienne entrar. É uma velha amiga da escola. Aproveite para preparar um chá com seus famosos bolinhos.
- Sim senhora. Respondeu a velha empregada.
Antes da empregada sair, Gwenda advertiu com expressão divertida:
- Ah! E por favor, não coloque papeizinhos dentro deles. Não raro me engasgo com minha sorte.
- Sim senhora. Respondeu a empregada olhando de esguelha com aqueles minúsculos olhos orientais.
Passados alguns segundos, Adrienne adentrou a biblioteca, sendo precedida pelo perfume doce e pelo ruído forte que fazia com os sapatos.
As duas se abraçaram, já que fazia muito tempo que não se viam.
Sentaram-se e, após um instante de incômodo silêncio, Gwenda resolveu começar a conversação.
- Pois bem Adrienne, estás muito bonita. Mais magra! E o modelito está esplêndido.
- Obrigada Gwenda, tu também continuas muito bem.
Mais silêncio.
Movida pela curiosidade, Gwenda resolveu ser mais direta.
- Bem, o que a traz a minha casa em um dia tão frio e feio como este? Desculpe se estou sendo indelicada, mas...
Não foi preciso terminar a frase para que Adrienne dissesse a que viera.
- É verdade Gwen. Por certo que não se trata de uma visita comum. Na verdade estou com um problema familiar e pensei que tu serias a pessoa indicada para me aconselhar. Talvez devido às nossas profundas diferenças.
Gwenda, em um rápido flash de memória compreendeu o que a amiga estava querendo dizer.
O fato é que ambas eram muito amigas na escola com o porém de que Adrienne era absolutamente conservadora e Gwenda era tida como excêntrica, pouco adepta a seguir convenções sociais.
Adrienne prosseguiu.
-Lembro de como conversávamos na escola e o quanto discutíamos assuntos diversos, sempre em lados opostos e por isso acho que minhas preocupações do momento poderão encontrar solução com mais uma desta “conversas”.
Gwenda, absolutamente tomada pela curiosidade quase não se conteve em começar a sacudir a amiga para que falasse que assunto tão importante justificava a inesperada visita.
- Gwen, tu sabes que eu sou uma pessoal normal. Que gosta de tudo normal, assim, dentro das convenções. Freqüento a igreja, cuido da minha casa e de minha família. Tudo absolutamente normal.
E prosseguiu.
- Acontece que na quinta-feira à tarde eu estava na minha saleta de costura e minha filha mais velha Tatiana estava no quarto estudando com uma coleguinha. Você lembra da Tatiana não é?
Gwenda lembrava e satisfeita mencionou que ela e sua filha Michela estudavam juntas no curso pré-vestibular.
- Pois bem. Resolvi nesse dia fatídico levar uma limonada e umas bolachinhas para espantar o sono das meninas, já que o estudo durava mais de duas horas. Chegando no quarto abri a porta e me deparei com a cena mais indescritivelmente nojenta da minha vida. As duas estavam ali beijando-se de forma indecorosa, quase sem roupa com clara intenção sexual e eu, embasbacada, deixei cair tudo o que trazia e comecei a gritar feito uma louca. Saí correndo e desci as escadas tão rápido que quase tropecei no Felix, nosso gatinho, só conseguindo parar na cozinha onde sentei ofegante e comecei a chorar.
A essa altura, Gwenda pensava consigo mesma, que nunca tinha ouvido tanta frescura na sua vida, mas incentivou a amiga, que já começava borrar a exagerada maquiagem com as lágrimas que caiam teimosamente.
E Adrienne prosseguiu.
- Após alguns minutos, a coleguinha desceu as escadas e passou por mim em direção à porta da frente, vencendo a rua sem sequer se despedir de mim. Tatiana desceu em seguida e se postou na minha frente dizendo que sentia muito que eu tivesse descoberto as coisas dessa maneira, mas que aquela era a realidade. Ela estava apaixonada e eu teria de me acostumar. Fiquei pasma e muda. Aleguei uma forte enxaqueca e me retirei. Agora aqui estou. Desde então não troquei uma só palavra com minha filha e sei que ela continua se encontrando com a “amiga”, fora de casa.
Nesse instante da conversa, Maria entrou na biblioteca trazendo uma bandeja com chá e bolinhos, esclarecendo com indisfarçável mágoa, que eram bolinhos sem papelzinho, como eu havia pedido.
Aproveitei para acalmar o clima tenso que se formara, pensando no porque de Adrienne ter vindo expor tais intimidades logo para mim.
Servi o chá e passei a falar com Adrienne a fim de que a amiga descansasse um pouco. Achei que uma pausa lhe faria bem.
- Bem Adrienne, acho que terás de enfrentar tal situação livre de preconceitos. É comum nos dias de hoje que os jovens acabem descobrindo a sexualidade com parceiros do mesmo sexo. Às vezes é passageiro. Outras vezes é realmente a opção sexual destas pessoas que, aliás, são tão normais como outras quaisquer.
Gwenda ficou alguns minutos discorrendo sobre a liberdade sexual e mencionando todas as teorias que se lembrava no momento e que poderiam colocar Tatiana em uma situação mais favorável, chegou a pensar em voz alta: “Pobre menina!”
Continuou de forma professoral.
- Tens de aceitar tua filha e mantê-la próxima de ti, caso contrário, não poderás acompanhar a situação e até ajudar Tatiana em suas necessidades.
Gwenda fez uma pausa incentivando Adrienne a tomar mais um pouco de chá, sendo que ela mesma se serviu de mais uma xícara, pois tinha ficado com a garganta seca.
Adrienne foi quem primeiro quebrou o silêncio.
- Fico feliz Gwen em te ouvir assim liberal e livre de preconceitos, pois, tenho de te dizer que as coisas não são tão simples assim.
Esta última frase foi dita de forma tal que Adrienne não conseguiu disfarçar uma certa satisfação e prosseguiu mais calma.
- Digo isso porque a amiguinha de quem falo é exatamente Michela.
Gwenda chegou a se engasgar com um bolinho que acabara de colocar na boca e o choque deve ter sido grande, pois a face ficou pálida de maneira tal que Adrienne chegou a levantar de sua cadeira para ajudar amiga.
Gwenda levantou-se subitamente e derrubou a bandeja com o chá e os bolinhos, o que chamou a atenção de Maria que entrou na biblioteca assustada.
Ato contínuo a patroa perguntou à empregada:
- Maria, Michela está em casa?
- Tá sim senhora. Ta lá em cima estudando com uma coleguinha.
Gwenda, sem esquecer a expressão “beijando-se de forma indecorosa”, olhou para Adrienne e declarou transtornada e quase gritando:
- Vamos terminar com esta pouca vergonha já!
Passados algumas semanas, após a “conversa” com sua filha Michela, esta trouxe Fabrizio, um namoradinho novo e aquela baboseira de homossexualismo foi esquecida na família. (Gilda Satte Alam Severi Cardoso)
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